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O pacifismo japonês é um tiro pela culatra

Marcio Ikuno2016 / 01 / 27

MARCIO IKUNO (IPC Digital) – Enquanto o povo fala mal do primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, por sua conduta militarista, o grupo terrorista Estado Islâmico planeja ofensivas de terror contra o Japão. E isso já foi divulgado em vídeo pelo grupo, logo após o assassinato dos dois cidadãos japoneses, Kenji Goto e Haruna Yukawa.

Entro no assunto novamente porque as ameaças seguem dentro da agenda do EI e o tempo está passando, permitindo o momento necessário para que encontrem uma brecha.

Para quem já foi para Tóquio ou Yokohama, ou para qualquer outra cidade grande, sabe que a quantidade de estrangeiros de diversas partes do mundo é imensa, desde noruegueses e sul africanos até turcos e indianos. Apesar de o Japão não ter fronteira, sua admissão a turistas é muito grande, permitindo a entrada de “qualquer pessoa” a turismo.

Há algum tempo atrás critiquei em artigo o governo japonês pela decisão de atrair turistas muçulmanos. Oras, é simples: o Estado Islâmico tem gente espalhada pelo mundo todo, pessoas com a “ficha limpa”. Vide, por exemplo, os britânicos que se juntaram aos terroristas na Síria. A maioria sem background duvidoso (mas muçulmanos).

Tudo bem, o risco é grande de qualquer forma, facilitando ou não o turismo a muçulmanos, mas facilitar é a mesma coisa que a Dilma está fazendo para as Olimpíadas, liberando visto a turistas (que sinceramente, é falta de senso). Ao invés de haver maior minúcia na seleção, está acontecendo o contrário.

Essa questão certamente gera o discurso de preconceito, xenofobia e essas “besteiradas” todas que a mídia vem enfiando goela abaixo. Mas há momentos que as decisões devem ser tomadas com firmeza, em favor da segurança do próprio povo, excluindo todos os discursos que a comunidade internacional possa fazer.

Vejam a Alemanha, que aceitou inúmeros refugiados. Seus cidadãos sofreram na virada do ano com esse pessoal, que abusou sexualmente das mulheres na cidade de Colonia. Angela Merkel, chanceler do País, ficou com a cara no chão, já que ela defendeu com unhas e dentes a aceitação de refugiados.

Mas a questão ainda fica: dois cidadãos japoneses foram cruelmente assassinados e o povo não pretende uma retaliação firme de seu governo? O pacifismo não irá mudar o mal já perpetrado.

Abe está mexendo as peças, e como todo japonês que se preocupa com seu País, está enxergando quais serão as próximas respostas para novas agressões.

*Os artigos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, as opiniões do Portal IPC Digital.

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